Anna Muylaerte fala sobre “Mãe Só Há Uma”

O 11º Festival de Cinema Latino-Americano acontece de 20 a 27 de julho com o total de 118 filmes de 13 países. A grande homenageada do ano é a cineasta paulista Anna Muylaert. O festival vai exibir 23 títulos da diretora e roteirista, incluindo trabalhos de início de carreira de rara circulação. Entre eles, o longa inédito no Brasil “Mãe Só Há Uma” (2016).

Foi no backstage, depois de muito alvoroço do público diante a presença de Anna, que ela me recebeu pra uma entrevista exclusiva. Falamos sobre seu novo filme, “Mão Só Há Uma”, e a representatividade que o longa traz sobre as temáticas abordadas.

O filme traria como foco a relação de Pierre (Naomi Nero) e seu irmão, no entanto ao longo do processo isso foi se transformando, contou Anna, “Tocar na transgeneridade como elemento foi muito forte, então o Pierre puxou o filme mais pra ele e o Joca ficou mais secundário. Mas sempre a ideia do filme era: “a porta de saída não é a vertical, é a horizontal”, sair dessa ideia de autoridade paterna, pra ideia de fraternidade, isso tá no DNA do filme”.

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Foto: Divulgação

“Que Horas Ela Volta”, também de Anna Muylaert, foi um dos sucessos da cinematografia nacional, com indicações ao Oscar, o filme trouxe um sucesso avassalador à cineasta. Muylaert comentou sobre sua expectativa do novo filme em relação ao anterior. “Eu sinto que tem uma expectativa muito grande por ser o próximo filme de quem fez o “Que Horas”, mas eu sempre falo, claramente, que são filmes muito diferentes. Que ele era um filme carinhoso, que botava a gente no colo, e esse é um filme mais pontiagudo, que te tira do colo, ele é um menino saindo do colo da mãe, e a Jéssica era uma filha voltando. Então eu sempre gosto de dizer pra pessoa não se enganar achando que é a mesma coisa”.

No longa Pierre descobre que sua família não é biológica quando a polícia prende sua mãe. Confuso, ele vai atrás de seus parentes verdadeiros, que o conhecem como Felipe, e a nova realidade faz com que o rapaz encontre finalmente sua real identidade. “Eu acho que é um filme mais focado para os jovens, pra afirmação de identidade, pra quem tá vivendo esse momento que a família ainda tem uma influência, eventualmente censora”, finalizou.

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