Charles Chaplin em Espetáculo

A Cia Imperial do Brasil estreou no último dia 06  Eu, Chaplin. A peça, ainda inédita, cumpre temporada no Espaço Parlapatões, em São Paulo. Com direção de Ralph Maizza e dramaturgia de Leandro D’Errico, o espetáculo parte de um olhar sobre a infância de Charles Spencer Chaplin (1889-1977) para estabelecer uma reflexão a respeito dos arquétipos do inconsciente humano.

Nosso site, em exclusividade, conversou com diretor e com dramaturgo do espetáculo. Confira:

Foto: A Dog's Life, 1918
Foto: A Dog’s Life, 1918

J.C. – Como esse texto, sobre a história de Chaplin, aconteceu pra você?

L. D. – Quando retornei do Actors Studio, eu me integrei ao pessoal do Teatro da Curva, foi lá que eu tive a chance de desenvolver um trabalho com o Ralph Maizza, um velho amigo do teatro e o Tadeu Pinheiro, um ator e palhaço que vinha dos circos do interior de São Paulo. O Tadeu é um cara que respira poesia e um dos cômicos que mais tem horas de palco em São Paulo, um verdadeiro talento. Foi a partir dele, que tivemos a ideia de falar sobre a auto biografia do Chaplin, já que ambos basearam as suas carreiras para o gênero cômico.
O que mais me chamou atenção na historia do Chaplin, foi a quantidade de episódios trágicos que ocorreram em sua infância e adolescência, mas nenhum deles o fez sucumbir como ocorreu com tantos outros em sua época. A capacidade de regeneração, o espírito de luta e o seu olhar para o lado bom da vida, fazem com que ele seja um exemplo. Não foi a sorte que o levou a ser um dos maiores da história do cinema. Foi a determinação.
Ralph Maizza é um diretor muito técnico e inteligente, além de nos conhecer muito bem. A chegada dele foi o elemento perfeito para conduzir a melhor forma de contarmos essa história.

Leandro D´ Errico, dramaturgo e ator do espetáculo

J.C. –  Por que o recorte sobre a infância do artista?

R.M. – Muitas pessoas conhecem o Chaplin por meio da fama que ele fez no cinema e do personagem “vagabundo” que o consagrou. Já a infância e adolescência pobre e sofrida é pouco divulgada, porém chama atenção o quanto obstinada e abusada era a mente de Chaplin e o quanto isso vai perturbá-lo e ao mesmo tempo favorecê–lo em sua carreira no futuro. Enquanto ele descreve que quando criança ficava sentado com fome olhando para um dono de açougue atrapalhado que deixa escapar um carneiro do cerco, Chaplin nos dá indicações do humor que irá construir já adulto e de todo drama que irá permear a sua obra cinematográfica assim como em sua vida.

J.C. – Até que ponto vai a ficção dentro do espetáculo?

R.M. – As cenas de infância e adolescência de Chaplin no espetáculo são todas reais, baseadas em relatos do próprio em sua biografia. Porém seus diálogos com o irmão Sidney e sua discussões sobre arte e sobre a profissão do artista são ficcionais, mas sempre levando em conta os comportamentos e características do Chaplin da vida real, ou seja, a arte imitando a vida.

J.C. –  Ao que me parece a peça traz uma reflexão sobre o teatro e a arte em si. Como isso foi pensado?

R.M. – Sim, de fato. Não tem como não pensar na arte dos dias de hoje, tão careteada, subjugada e por muitas vezes censurada. Assim como Chaplin viveu a censura e incompreensão de tudo que fazia, atualmente vivemos um momento de total distorção da realidade, onde até se diz erroneamente que o teatro está morto ou desatualizado. Mas assim como Chaplin, o teatro sobrevive, porque tudo que transcende como a arte em si vem de um ponto de origem, e voltar à origem é sempre necessário; por isso a imortalidade do teatro mesmo em tempos tão difíceis, por ele ser a origem, o lugar sagrado onde se contam histórias e se fabricam personagens.

J.C. –  Quais a sensações esta peça pretende passar ao público?

R.M. – A peça emociona por sua leveza, mesmo quando fala de temas tão tristes como a fome ou a loucura. Assim como em um filme do Chaplin, o humor inocente mas peralta está presente, lado a lado com o drama. Pretendemos não só homenagear o Chaplin. É uma peça que fala da arte em qualquer âmbito e da escolha de ser artista.

Ralph Maizza, diretor do espetáculo

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