De Pai para Filho

Foi em ritmo de música paraense que Manoel e Felipe Cordeiro, pai e filho, me receberam no Cine Jóia, em São Paulo. Os músicos se preparavam para tocar num arraial, e foi antes da passagem de som que tivemos nossa prosa.

Manoel, nascido em Ponta de Pedras, no Marajó, atuou intensamente como produtor musical e arranjador na Amazônia e no nordeste entre os anos 70 e 90. Felipe ganhou destaque com o álbum Kitsch Pop Cult, em 2012, misturando a tradição popular musical do Pará com a sonoridade contemporânea dos beats digitais da América Latina.

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Foto: Divulgação

Agora, pai e filho além de carreiras independentes tocam juntos em um projeto idealizado por Felipe. “O Felipe me convidou pra tocar guitarra na banda dele. E eu topei! E disse, “meu filho vamos ver como é que fica!” E eu comecei a tocar. E o fato de eu estar tocando com o Felipe, depois de eu ficar parado por muito tempo, foi super legal, porque o Felipe é um cara antenado, cheio de referências, referências do Brasil inteiro, do mundo inteiro, que eu não tinha”, revelou Manoel.

“Eu comecei a fazer o primeiro disco que eu cantava, o Kitsch Pop Cult, inspirado em coisas dos anos 80 do universo de baile, do universo popular da Amazônia. E mergulhei nos discos que meu pai tinha produzido, que eram cerca de mil discos, desses gêneros, boi-bumbá, lambada, brega, enfim… Sabia também que o resto do Brasil, especialmente, não conhecia a história dele, nem ele tocando assim tão claramente. Conheciam apenas os interessados de ficha-técnica. Eu queria que as pessoas o vissem cantando, porque eu sei, e todo mundo agora passa a saber, do virtuosismo e da criatividade instrumental e da figura que ele é”, contou Felipe.

Foto: Julia Rodrigues

“Combo Cordeiro” é o nome do projeto instrumental que reúne pai e filho. O disco já foi gravado e passa a ser mixado, com data prevista de lançamento neste segundo semestre.

Felipe também se prepara para um novo projeto solo. Através do site Catarse ele busca um financiamento para a gravação de um novo disco. O financiamento coletivo é um modo de viabilizar projetos com a ajuda de apoiadores. A campanha pretende arrecadar verbas para gravação, mixagem, masterização e prensagem do disco. Cada um participa com quanto pode. Em troca são oferecidas recompensas que vão desde camisetas personalizadas e discos autografados até pocket shows e jantares especiais com Felipe.

1 comentário Adicione o seu

  1. Waldira disse:

    Simplesmente sensacionais. Em passeio por Belém , os assisti ontem pela 1a vez em um show com Fafa de Belém no Teatro da Paz. Os Brasil precisa conhecê-los. Nota 1.000 pra eles!

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