Emoção à Flor da Pele

Emocionante. A descrição de meu encontro com João Donato não poderia ser outra. Muito tranquilo o músico tomava sorvete, ainda de meias, em seu camarim no Museu da Imagem e do Som (MIS) quando me recebeu.

João foi o grande homenageado do projeto “Notas Contemporâneas”. O evento acontece mensalmente e é voltado para a manutenção e ampliação do Acervo MIS de depoimentos orais de personalidades musicais da cultura brasileira.

Foto: Lucca Messer
Foto: Lucca Messer

Com mais de 60 anos de carreira, o músico nascido em Rio Branco, Acre, trouxe à tona lembranças de sua infância. “Minha lembrança de lá (Acre) é sempre a mesma. Uma canoinha que passava ao cair da tarde e alguém vinha assoviando uma melodia que me emocionou muito, e eu guardei pra mim no meu coração, na alma, no espírito”, relembrou João.

A “canoinha” que traz tantas lembranças ao artista esteve presente em muitas de suas músicas, “Esse momento é inesquecível pra mim, e deu base pra todas as minhas outras músicas, porque eu gostei da emoção que isso me causou, uma pessoa assoviando uma música ao cair da tarde, passando numa canoa e eu à beira do rio, ainda criança, achei essa emoção bastante saborosa. Então eu procurei em todas as minhas outras músicas um lugar que produzisse esse mesmo estado de espírito”, contou.

João completará 82 anos em 17 de agosto. Sobre planos e projetos, há novidades por aí, “Eu tenho um projeto que não me sai da cabeça e que me vêm perseguindo há mais de 20 anos. É escrever uma suíte sinfônica baseada em trechos de obras de Ravel e Debussy, com acréscimo do piano, bateria, contrabaixo e percussão, e transformar isso nos melhores momentos, que eu acho, das composições deles, e tornar isso uma coisa especial em homenagem a eles, que foram os que me impressionaram e me impressionam até hoje, os melhores da música, Ravel e Debussy”, finalizou.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *