Kananga do Japão, uma história de revolução

Para falar desta novela, confesso, fui parcial. Uma de minhas tramas preferidas e grande sucesso da Rede Manchete, Kananga do Japão se passa durante a revolução de 1930 e 1932, a intentona comunista, o integralismo e a Segunda Guerra Mundial.

Sua exibição foi de 19 de julho de 1989 a 25 de março de 1990, em 208 capítulos. Escrita por Wilson Aguiar Filho, baseada na ideia original de Adolfo Bloch e Carlos Heitor Cony e direção geral de Carlos Magalhães e Tizuka Yamasaki.

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Kananga do Japão – 1989/1990 (Rede Manchete)

 

Adolpho Bloch, presidente da Rede Manchete, escreveu a sinopse do folhetim que falava sobre o Grêmio Recreativo Familiar Kananga do Japão, um famoso cabaré da década de 1930. A trama misturava ficção e romance, com inevitáveis lances folhetinescos. A história envolvia um triângulo amoroso, Dora Tavares, interpretada por Cristiane Torloni, era a moça fina cuja família perdeu tudo com a quebra da bolsa de Nova York em 1929, e se apaixona por Alex Lima, personagem de Raul Gazolla, entretanto acaba se casando com o filho de um rico industrial, Danilo, vivido pelo ator Giuseppe Oristanio. Mas tudo muda quando a mãe de Danilo, Letícia  (Tônia Carrero), se apaixona por Alex e este se aproveita da situação para dar um golpe na madame. O drama ainda é envolvido por tragédias, chantagens e assassinato.

A obra passou também por inúmeras peculiaridades, inicialmente, a estreia estava prevista para 16 de junho, mas foi adiada por problemas no elenco e texto, estreando apenas no dia 19 de julho. Foi reprisada duas vezes, a primeira de 21 de maio de 1990 a 18 de janeiro de 1991, e a segunda entre 18 de março e 10 de outubro de 1997. Ao final de cada capítulo, eram exibidas imagens documentais sobre a época. Kananga do Japão ainda foi indicada a seis categorias do prêmio APCA, venceu todas. 

Enfim, a novela foi um grande sucesso de público e crítica. “A direção da casa espera ao menos chegar a 25 pontos do ibope no Rio e quinze em São Paulo […] para não repetir o insatisfatório resultado de suas últimas produções, a Manchete não economizou para fazer de sua nova novela um sucesso igual a Dona Beija, já vendida para diversos países”, Jornal do Brasil, ao dia da estreia.

 

 

 

2 comentários Adicione o seu

  1. Marcia disse:

    Kananga não foi inspirada na historia de Sylvia Thibau?

    1. juniordecasttro disse:

      Oi, Márcia.
      Na verdade o Adolpho Bloch deu a ideia de produzir uma história que mostrasse o Grêmio Recreativo Familiar Kananga do Japão, um cabaré da década de 1930. Para desenvolver o texto foram pesquisados material fotográfico, livros e documentos no Museu da Imagem e do Som, Arquivo Nacional e Biblioteca Nacional.

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