O Bofe, uma crônica social

O Bofe foi uma novela exibida pela Rede Globo entre 17 de julho de 1972 e 23 de janeiro de 1973, em 143 capítulos. Escrita por Bráulio Pedroso e dirigida por Daniel Filho e Lima Duarte.

Sua história apresentava vários personagens caricatos e excêntricos que lutavam por ascensão social a qualquer custo e, em contato uns com os outros, transformavam a novela numa imensa crônica social.

Entre os personagens marcantes da trama estavam:  Guiomar, viúva suburbana, tão insegura que saía de peruca loira para procurar emprego em Copacabana. Vivia com a mãe, a velha polaca Stanislava Grotowiska, que se embebedava de xarope e sonhava com um príncipe trapezista. Bandeira, personificação da crítica ao mundo de aparências e aos falsos artistas, era um hippie subversivo e decorador de interiores. Arrancava dinheiro dos ricos deslumbrados que buscam o que existia de mais moderno e “artístico” em decoração. Carlota era uma senhora simpática, abnegada e extremamente religiosa que era apaixonada por um padre que, na verdade era um picareta de olho em sua fortuna.  Suzana Leopoldina uma nova-rica noiva que fazia de tudo para se adequar à alta sociedade.  Gonzaguinha era uma macumbeira, que lembrava uma desajeitada bruxa.

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O Bofe – 1972 (Rede Globo)

A palavra “bofe” era gíria da época que designava homem feio ou desengonçado. Há alguns anos, a gíria passou a ser utilizada pelas comunidades gays e pelo público feminino com denotação contrária: homem atraente, másculo e bonito.

A novela foi a primeira e última dirigida por Lima Duarte na Rede Globo. Antes já tinha dirigido outras novelas na TV Tupi.

O autor Bráulio Pedroso precisou se afastar da trama por conta de uma hepatite e foi substituído por Lauro César Muniz. José Wilker, inconformado com a saída de Bráulio, pediu para deixar o elenco. Na história seu personagem morre de tanto rir ao ouvir uma piada de um amigo.

A personagem Stanislava Grotowiska, interpretada por Ziembinski, foi a primeira travestida da história da telenovela brasileira, uma ideia do próprio ator. Por último, a trilha sonora da novela foi toda composta pela dupla Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

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