Padre Cícero, a religiosidade em dramaturgia

Padre Cícero foi uma minissérie exibida pela Rede Globo, entre 9 de abril e 4 de maio de 1984, em 20 capítulos. Escrita por Aguinaldo Silva e Doc Comparato, direção de Paulo Afonso Grisolli e José Carlos Pieri.

A história, ambientada entre 1884 e 1906, conta a biografia de uma das figuras mais polêmicas e emblemáticas do Nordeste brasileiro: padre Cícero Romão Batista. Religioso que conquistou prestígio político, uma legião de seguidores com seu trabalho pastoral e que também é atribuída a cura de fiéis.

Entre os maiores percalços enfrentados por padre Cícero, seu maior inimigo foi Dom Joaquim, outro religioso, que temia a criação de uma nova corrente religiosa, e acusou Romão de desobedecer às normas da Igreja.

Acusado injustamente, é exigido ao padre que renuncie publicamente aos milagres a ele atribuídos. Mas, como se recusa a obedecer, tem seus direitos sacerdotais suspensos e, impedido de atuar como religioso, intensifica sua atuação política.

Por fim, Padre Cícero morre aos 90 anos, sem o perdão da Igreja, mas adorado pelo povo.

Padre_Cícero_(minissérie)
Padre Cícero – 1984 (Rede Globo)

A minissérie tentou ser extremamente fiel à realidade. Mas, muitos personagens são inteiramente ficcionais, enquanto outros são inspirados em personagens reais.

Os autores pretendiam realizar a segunda parte de uma trilogia enfocando três grandes mitos do Nordeste. Iniciada com Lampião e Maria Bonita (1982),  e seria fechada com Delmiro Gouveia.

Algo inusitato também ocorreu durante as gravações da minissérie, Stênio Garcia, interprete de padre Cícero, recebeu diversos presentes dos moradores locais, que lhe atribuíam o milagre da chuva na região após um longo período de estiagem.

 

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