Personagem Rose, a doméstica do Brasil é mineira

Depois de arrancar risos pela internet, com 1 milhão e meio de acessos, personagem que também está no Multishow, chega aos palcos para contar a sua história antes da fama.

Segundo o ator Lindsay Paulino, que criou e vive a personagem, “A Rose já existe faz muito tempo. Mas não se chamava Rose. O personagem era uma dona de casa do interior com seus conflitos típicos de mãe: problema com os filhos, com o marido, com a casa, etc. Ela se chamava Supriana, bem roceira mesmo, caipira. Quando me mudei pra Belo Horizonte tive a ideia de deixá-la mais urbana. Então dei um corte na peruca que era longa, mudei o nome pra Rose e pensei: porque ela não se especializa em faxina gay? Na época eu morava com um amigo e estava rolando uma onda de fazer blog e postar vídeos. Gravamos no nosso apartamento mesmo e postamos no blog sem pretensão nenhuma de fazer sucesso. Fizemos pros amigos mesmo. Só que o personagem foi crescendo e depois de um tempo eu criei a paródia “Grelo” que foi responsável pelo sucesso”.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Confira a entrevista que fizemos com Lindsay Paulino, intérprete da personagem:

J.C. –  Acredito que todo trabalho transforme a gente de alguma maneira. O que Rose tem transformado em você?

 

L.P. – Acredito que aconteceu o inverso. Eu fui transformando a Rose com o tempo. Quando a personagem foi criada ela já era a frente das mulheres de sua época mas mesmo assim existia ainda um certo pudor em falar de certos assuntos, característica comum nessas mulheres sertanejas, pobres, religiosas da região do norte de Minas. Ela se tornou uma mulher empoderada, livre de preconceitos e que levanta uma bandeira. Contudo, ela se transformou mais que eu.

J.C. – A Rose é um personagem que nasceu para o teatro e posteriormente aconteceu na TV. Há alguma diferença entre ela para o teatro e para TV?

 

L.P. – Na TV não tenho liberdade pra falar sobre questões políticas por exemplo, o teatro já me permite isso. Apesar dos veículos serem diferentes o humor permanece, mas no teatro ele é mais vivo e mais próximo das pessoas. A relação imediata que o teatro estabelece entre eu ator e plateia, faz com que o riso seja mais genuíno.

J.C. – A Rose é uma personagem mineira? Podemos ver traços e características mineiras nela?

 

L.P. – Totalmente mineira. A Rose é uma mulher catrumana, nascida em Bocaiúva, Minas Gerais. O sotaque não nega suas origens.

J.C. – A personagem se encontra no auge neste momento. Há novidades para Rose e outros projetos de outros personagens?

 

L.P. – Agora eu começo gravar a segunda temporada do humorístico Treme Treme no Multishow. Recebi também um convite pra que a história da Rose vá pras telas do cinema. Eu sou ator, o que pedirem pra eu fazer eu faço, como aconteceu quando fui convidado pro Xilindró. Fiquei sabendo que faria uma travesti uma semana antes de gravar o episódio piloto, fui lá e fiz. As pessoas amam a Rose e a Xuxeta, querem muito ver as duas, mas o que pintar de personagem novo eu faço.

J.C. – Como bom mineiro você deve carregar consigo lembranças e histórias. Tem alguma que possa nos contar?

 

L.P. – Tenho mil histórias pra contar e não consigo eleger a mais legal. De verdade, são muitas. Uso a Rose pra contar todas essas histórias na minha peça. Só pra matar a curiosidade tem uma ótima da minha vó que fazia sabão em barra caseiro aproveitando óleo velho de fritura. Ela colocava o sabão pra esfriar em cima da geladeira numa forma de assar bolo. Um dia o sabão amanheceu com uma marca de colher e minha vó gritou, irônica: quem comeu meu doce de leite? A moça que trabalhava na minha casa respondeu: isso não é doce, eu comi um pedaço; é sabão!

J.C. – O que Minas representa pra você? O que mais sente falta?

 

L.P. – Minas representa família pra mim. Aqui em São Paulo são tantas pessoas diferentes, de tantos lugares do Brasil. A impressão que se tem é que todo mundo deixou sua família pra tentar a sorte aqui, parece que ninguém nasceu em São Paulo, então sempre que falo de Minas eu penso em família e sinto muita falta de sentar num banquinho na porta de casa com minha vó, minhas tias e passar a noite ouvindo histórias.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *