Poesia, Tristeza e Misticidade

Uma certa angústia ainda me aperta o peito ao escrever este texto. Nunca fui muito sensível as essas coisas. E não trato “coisas” como algo irrelevante a mim, mas como uma forma de descrever o indescritível.

Encontrei-o, Domingos Montagner,  em duas situações semelhantes, mas distintas. Ora no palco, num espetáculo da cia Pia Fraus, grupo teatro de bonecos. Ora na plateia, como espetador, no TUCARENA (Teatro da Puc – São Paulo).  Ambas as vezes muito sereno e bastante simpático com o público ao redor.  Ao passo que no primeiro encontro Domingos ainda não era o estrondoso sucesso da TV que passou a ser pouco anos mais tarde.  O fato é que nunca me chamou muita atenção, a não ser pela simpatia e serenidade que Montagner parecia transmitir.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Tempos depois foi anunciado como protagonista de “Velho Chico”, novela de Benedito Ruy Barbosa. Inicialmente me incomodando muito. Como estudioso de TV e teledramaturgia, tendo Benedito como um ícone em texto e ficção, não concebi a razão pela qual Domingos havia sido escolhido para à volta de Barbosa ao horário nobre depois de passados mais de 10 anos.  A resposta foi clara! “Santo” seria o personagem da vida, e morte, literalmente, de Domingos.

Pra quem conhece um pouco da história do rio, o São Francisco, sabe de sua misticidade e de seu poder intrinsecamente ligado a religião. “Meu Rio de São Francisco, diante da turvação, vim te dar um gole d’água e pedir tua benção”,  trecho da oração popular dos povos ribeirinhos referente a crença ao rio.  Daí em diante foi que o nó em minha garganta só aumentou… Foram especulações e teses da vida imitando a ficção – ao nos recordarmos que o personagem de Montagner, Santo,  havia se perdido no rio que lhe trouxe a vida.

Talvez nunca saibamos a verdade, mas a quem crê, indicam os povos indígenas do São Francisco, a morte é apenas o começo, “Fiquem felizes pela alma dele, pois quando ele entrou no rio se despediu do corpo e alma, nasceu em um mundo melhor. Algum dia os brancos irão entender isso. Então, temos que fazer um ritual para que os brancos entendam e sejam fortes, pois ele está bem. Ele agora é um protetor do rio São Francisco”.

 

 

1 comentário Adicione o seu

  1. Viviane disse:

    👏👏👏👏 amei

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